NO VERMELHO DO CORAÇÃO

PREFACIO

No “No vermelho do coração” selecionei alguns sonetos e poesias que falam de amores não correspondidos, na maior parte.
Algumas participaram de festivais e fui premiado, o que me deixou muito feliz.

Quem por ventura estiver sofrendo de amores mal resolvidos, tenho certeza que irão mergulhar de cabeça e se encontra em uma dessas poesias ou talvez em todas.
Já me disseram que este tipo de tema soa pessimista, mas não vejo por esse lado. Vejo como sendo acasos do destino que muitas vezes nos pregam peças, mas que no fundo não deixam de serem lições de vida.

Divirtam-se, riem ou chorem afinal poesia é isso: Sentimentos.
Remus Silva.




À PROSTITUTA

Oh querida prostituta
Que um dia necessitado
Comprei como uma fruta
Na frutaria do pecado.

Por um pouco de dinheiro
-Um coito - Obtive o desejado.
Sem prazer e bem ligeiro,
Sem remorso e sem pecado.

Almas em relações truncadas,
Sem garantias de gozo pleno,
Nem mesmo juras trocadas.

Entre pernas e fingimento
O amor como sereno
Numa relação sem sentimento.




A ESPERA

Quando já cansada de andares
Na estrada de amores conturbados,
Lembre-se de meus braços acostumados
A te esperar sob vigília de olhares.

Não te iludas com vinhos frescos,
Beijos consumados e febris.
Meus braços podem não ser viris
Também não são rudes e pitorescos.

Vê se não aperta em seus abraços
A ponto de sufocar a ilusão
Que cresce e espera em meus braços,

Na certeza que um dia, porem.
A infelicidade de sua solidão
Se junte a minha solidão também.




AMOR DE LOUCO

Mal dizem que sou louco
Inquieto e transtornado,
Volúvel e desgraçado,
Consumindo-me pouco a pouco.

Rezam pela minha alma.
Buscando auxilio divino
O badalar de cada sino
É anestesia que me acalma.

Não sabem que também rezo
E que busco como arauto
Não o auxilio do alto

Mas o que mais prezo:
O amor supremo e pouco
Da mulher que me deixa louco.



 
FETICHISTA

Não sei por quanto tempo ainda
Continuarei a cultuar sua esfinge
Esculpida em minha solidão infinda
Que tanto meu coração aflige.

Tentar quebrar este sentimento
É querer voar sem asas.
Por mais que eu force o pensamento
Acabo pisando em brasas.

Meus dias: cinzas e fetichista
Minha vida: um inferno só!
Consomem-me sem que eu desista

Desta idolatria sem preceitos
Que aos poucos transformam em pó
Alegrias e preconceitos.



 
SÃO JOAQUIM

Pai de uma mãe querida,
Avô de filho fenomenal
Precursor de minha fé comovida
Encontrada no altar emocional.

Pai nos meus caminhos tristes,
Lágrimas de alegria plena.
Vós que me ouvistes
Minha tristeza drena.

Vós que ouve minhas orações
Aconselhando em seus braços
Contando lindas revelações.

Revelações estas, que, por conseguinte.
Recolhe os meus pedaços
Evitando que eu finde.




NOVAMENTE TRISTE E CONFUSO

Bem sei o que sinto
Quando longe de ti,
Sei que não minto.

Onde esta você mulher?
Procuro aqui e ali.
De mim não sei o que quer.

Maldições lanço sobre mim,
Pois não me entendo.
Como poderei vier assim?

Querendo o que não posso,
Vivendo e vendendo minha alma,
De sua alma um dia aposso




ALTIVO

Não sei se mereces
As horas que perco
Pensando em você.

Não se sei se careces
Como careço
De beijar você.

Quem sabe, talvez,
Num segundo de raciocínio
Eu me descubra.

E nesta altivez
Que me fará exímio
Você me descubra




ACONSELHANDO

Talvez seu vulto errante
Com o meu vulto feio
Se cruzem num instante
Acordando-me do devaneio.

Ai depararei comigo mesmo.
Olhando no espelho,
Fecharei meu coração enfermo
Dando-lhe um conselho:

Fique comigo por um segundo,
Esqueça de seu mundo
E mergulhe no meu.

Verás que sou sincero
E o que mais quero
É poder ser todo seu.




JARDINEIRO

Certa vez plantei um rosa.
Nasceu sem nenhum defeito,
Cresceu linda e cheirosa
Fazendo-me feliz e satisfeito.

O tempo passou como vento.
À rosa me prendi.
Contei-lhe do meu sentimento,
Porque à ela nunca menti.

Amei esta rosa loucamente,
Sem pedir nada em troca
Entreguei-me completamente.

Mas alguém invadiu o meu mundinho.
-Lembrar disso me sufoca!-
Levou a rosa e me deixou sozinho.




ÀO JIM

Masturbar sem tesão,
Comer pipocas sem sal
Tem algo em comum,
Ambos tem gosto de isopor.

Viver sem precaução
É morrer como nau,
Se sentir incomum
Como um Deus de vapor.

Cantar pra quem?
Morrer por que?
Diga-me imbecil

Não serei alguém
Sendo como você.
MORRA! Seu débil.




JULGADO

Semeei conquistas
Mas colhi derrotas.
Maquiavélicas presunções
Proclamadas sem razões.

Solidariedade plena.
Face melancólica e serena
Transcreveu-me na vida
Para depois ser lida,

Pois toda minha existência
Será severamente julgada
E a sentença proclamada.

Morrerei sem resistência.
Pergunto: O que fiz não valeu?
E dirão: “Se valeu, também morreu!”




À RAINHA DO EGITO

Gostaria de lhe descrever
Em rima perfeita e lícita
Para que todos pudessem entender
Esta minha paixão explícita.

Sei que me dariam razão
Por que também se apaixonariam.
Sem ao menos terem a visão,
Teu vulto apenas imaginariam.

E como abutres, predadores,
Sairiam ao meu encalço
Conduzindo-me ao cadafalso.

“Como pode ousar, senhoras e senhores.
Um fanfarrão, cabeludo e vagabundo.
Cobiçar a mulher mais linda do mundo?”




SONETO PARA ANGELA

Cafeína em minhas veias
Despertam-me do sono milenar
Revelando que devo reencontrar
Minha Deusa das areias.

As catacumbas que nus guardaram
Já não existe mais, amor.
Mesmo a saudade, angustia, dor.
Com o despertar se fragmentaram.

E o desejo de revermo-nos
Molesta e nos incontenta
A ponto de nos deixar demente.

O motivo de sermos eternos
É que o sono que acalenta
Nos faz sonhar um com o outro eternamente.




PERSISTENTE

Imortalizado,
Mumificado pelo tempo
Meu amor persiste.

Dilacerado,
Massacrado pela existência
Morro na persistência.

Toda solidão é amarga.
A ilusão me afaga
Acalentando a esperança.

Caio na descrença,
Oro pela sua presença
Em meio à perseverança.

Mumificado,
Massacrado pelo tempo
O pecado existe.

Dilacerado,
Inutilizado pela existência
Morro na persistência




VIDA DOS POETAS

A arte do poeta e versejar,
Viver de devaneios corroídos,
Histórias e casos consumidos
Pelo tempo a passar.

Solitário envolto a flores,
Verta lágrimas de tristezas
Em rimas de belezas
Que expressam suas dores.

A musa que tudo assiste,
Apenas desfruta tal cena
Em debochadas risadas obscenas
Que vez em vez consiste.

Já desvalido pela culpa oculta
De ter amado tanto,
Morto e jogado num canto
Seu amor próprio resulta.

E a musa que tudo assistiu,
Na sepultura sorri debochosa.
Graceja jogando uma rosa
Negando a culpa do que viu.




DESEJOS APENAS DESEJOS

Se você ao menos cogitasse
O quanto lhe desejo
Cairia em êxtase
E me mataria de tanto beijo.

Procuro-lhe em sonhos.
Em pesadelos não a encontro.
Acordo tão enfadonho
Que me caio em confronto.

Desejo afogar-me em suas lágrimas,
Me perder em seus braços
Não deixar minha vida a ninguém
Como se já estivesse em pedaços.

Morreria por você sempre,
Dia após dia.
Espero que se lembre
Que por você minha vida entedia.

Se você amasse como eu,
Se despiria com fervor
E gritaria que sou seu
Pedindo mais e mais amor.




PAIXÃO

Nem em sonhos posso ter-te.
Por que meu Deus?
O que fiz a ti?
Quebre os interrogatórios meus.

E agora mulher, o que faço?
Se o sentimento como nó
Envolve-me num abraço
Que me fragmenta ao pó.

Paralelas retorcidas e frias
Traçam minhas vias
Que conduzem ao nada.

Histórias tristes e feias
Correm em minhas veias
A deixando estagnada.




POESIA CONCRETA

Viver talvez.
Ao certo morrerei:
Sem amor... Lucidez...
Na angustia renascerei.

Cantarei um dia.
Ao certo chorarás!
Afagarei-lhe com alegria,
Pois minha tuas lágrimas serás.

Amarei-te talvez.
Ao certo você também.
Do amor, a lucidez.
Que nos fará alguém.




MEU JEITO

Vagando lento
Voando alto
Junto ao vento
De salto em salto.

Solto e sujo
Chorando alto
Metido a bruxo
De salto em salto.

Coração sozinho
Batendo alto
Num jeito mesquinho
De salto em salto.




INCERTEZAS

Não sei quantos olhos já desfilaram
Sobre seu corpo lascivo.

Não sei quantas bocas já degustaram
Sua saliva (licor nocivo).

Não sei quantos homens já se mataram
Entre seus braços fingidos.

Não sei quantas frases já se calaram
Diante de seus silêncios oferecidos.

Não sei quantas vezes chorei
Por lhe amar

Não sei quantas vezes me matei
Por me deixar.




MINHAS VASTIDÕES

Tão vasto é meu universo
Que às vezes eu me perco.
Minha vida é o inverso
De seu cerco

Ah! Meu Deus.
Onde estão os afagos
Que acalentavam sonhos meus?

Tão vasto é meu amor
Que às vezes eu me amo.

Tão vasta é minha dor
Que às vezes eu declamo.




A MUSA

Teus olhos;
Tua boca;
Me faz fitar
Tua face louca

Um tempo;
Um minuto;
Me faz esperar.
Um tributo.

Eu vejo a luz,
E sua imagem.
Eu me prego à cruz
Sem qualquer linguagem.




PONTO DE VISTA

Grosseira é a voz do porco
E rápida é a bala.
O pensamento é lento.
O sono um acalento
Que nos embala.

Grosseira é a voz do porco
E rápido é o pensamento.
Lenta é a bala,
O sono que nos embala
E o acalento.




DUVIDOSO

Há princesas que me odeiam,
Há mendigos que me rodeiam.
O que faço?

Desprezo os que me rodeiam
E amo as que me odeiam?
Ou corou os que me rodeiam
E pise nas que me odeiam.





O DESCONHECIDO E A VOLÚVEL

O verão é quente e estafante
O inverno é frio e incessante.
Seu corpo é lascivo e provocante
Sua alma é volúvel e arrogante.

Mal posso dizer de mim,
Não me conheço bem.
Pressinto chegado o fim
Pois a vida já não vai e vem.




DENTRE TODAS AS OUTRAS

Das coisas que já amei
Mesmo sendo de outrora,
Que amo e amarei
Não importando com a hora.

Você é a melhor
Das dores causadas,
Calçadas,
Prezas em lágrimas e suor.




CARTA DE SUICIDA

Das bordas de lábios
Ouvem-se liras de amor.
Das memórias de sábios
Saiam sabedoria, dor.

Das liras errantes
Que andavam em mãos alheias,
Canções lindas, marcantes,
Invejavam as sereias.

Mas dos teus olhos fatais,
Pobres olhos meus,
Encontrar algo para mim jamais.
Adeus!




ULTIMO OFERECIMENTO

Ho, Amor.
Preguei-me na cruz,
Apaguei a luz
E me perdi na dor.

Uma chave na porta,
Uma moldura quebrada,
Uma foto rasgada
E uma vida morta.

Um bilhete no chão,
Um corpo pálido,
Um espelho trincado
E um tiro no coração.

Ho, amor.
È isso que lhe deixo
Acompanhado de um beijo
Sem sabor.




DEDICAÇÃO

Dedico esta
A aquela que chegou
E nada me falou.
Apenas me sorriu,
Bateu a porta
E fez que não me viu.




20/10. DIA DOS POETAS

Hoje é dia dos poetas.

Estes sonhadores,
Sofredores...
Amantes da vida
E das horas incertas.




DEUSA

Desejei-lhe entre o povo
E como povo a vi.
O que eu senti
Não foi nada de novo.

Apenas antigos sentimentos
Vindo das profundezas
Arrastando as tristezas
Para serem abatimentos.

Abatimentos de alegrias
Que já se faziam presentes,
Agora ausentes,
Sentirei as noites frias.

Viverei o presente
Como vivi o passado.
Tal qual um desgraçado
Serei e viverei decadente.




IMPECÍLIO

Não tenho boca para falar-te;
Não tenho ouvidos para ouvir-te;
Não tenho olhos para ver-te;
Não tenho mãos para apalpar-te;
Não tenho nariz para cheirar-te;
Não tenho pés para seguir-te.

Eu queria poder falar;
Eu queria poder ouvir;
Eu queria poder ver;
Eu queria poder apalpar;
Eu queria poder cheirar;
Eu queria poder seguir.

Mas não tenho:
Boca;
Ouvidos;
Olhos;
Mãos;
Nariz;
Pés.
...E coração.




A ONDE FOI QUE VOCÊ SE ESCONDEU?

Hei amor, onde foi que se escondeu?
Diga-me amor, diga sem acanhamento,
Irei galopando no vento
Dizer que meu amor é todo seu.

Hei amor, onde foi que se escondeu?
Diga-me amor, por que fez tamanho atrevimento?
Irei esconde-lo na parede do esquecimento
E dizer que meu amor não morreu.

Hei amor, onde foi que se escondeu?
Diga-me amor, por que me pôs em padecimento?
Irei busca-la sem ressentimento
E dizer que meu amor renasceu.




PALHAÇOS

Palhaços que choram,
Fazem piadas para rir
Tentando com tudo fugir
Da dor que os esfolam.

Palhaços que lamentam
Por fazerem perfídia
Esta vida de falsidia
Que os atormentam.




VOCÊ NÃO ESTA SÓ

Nunca pense estar sozinho.
Há sempre um amigo presente
Mostrando que sua vida é lucescente
E tirando os espinhos do cominho.




FALENA

Falena da densa selva,
Seu voar realça
Com o balançar da relva
Com o dançar de valsa.

Falena do infinito,
Sou pataco vagabundo
Tanto que já me tornei mito.
Reducente mente ando o mundo.

Falena cor de fada,
Minha vida vai menoscabar.
Como você, falena amada,
Dela não quero mais desfrutar.




UM DIA DE CHUVA

O inverno chegou princesa.
Cinza, frio, feio e sem graça.
Prefiro o sol com sua realeza,
Pois se parece mais com você.

O que fazer nesses dias mórbidos?
Quem sabe rezar um pouquinho,
Pensando que amanhã , devagarinho,
O sol me vai reaparecer.

Talvez eu aproveite a chuva fria
E congele o meus sentimentos,
Melancólicos e sem merecimentos
Da existência nesses dias.

O inverno chegou princesa!...
Cinza, frio, feio e sem graça.
Lhe abraçarei com delicadeza
Porque hoje lhe amo mais.



Sobre este blog

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Remus Silva.