I
Receba senhor o meu dízimo
Dízimo este: Minha Vida!
Meio gasta e dividida
Entre a dor e o otimismo.
II
Nas pontas de meus dedos, Meu rosário.
Feito com contas de minhas lágrimas.
Discorrendo minha vida, meus medos,
Como alento em meu calvário.
III
Quando os trinta anos lhe bater à porta
Veras que o que tens não mais importa
Por que conquistas nunca param de brotar
E a cada dia uma nova lhe convida a pelejar.
Veras que a única graça é o amor que fica
Em seu coração que se solidifica
Em meio a tantos fragmentos de paixões,
De sonhos que se tornaram desilusões.
Sentirá a boca proferir orações de fé
Que transformará o não poderia ser em É!
Verás que Jesus é a saída perfeita
E que aos poucos a coisa se ajeita
Pelas mãos da mãe que por nós roga
Junto a Deus e a ele nos Advoga.
IV
(Maria mãe de Deus)
Fonte de misericórdias que nunca se esgota,
Corrente que jamais se rompe.
Mesmo sofrendo a dor na Gólgota
Não se abateu ao rancor que corrompe.
És mãe em perpetuo socorro aos teus filhos
Diante do Trono és Advogada nossa.
Nos protege de carnais idílios
Que às vezes de nós se apossa.
Rogai por nós oh mãe querida,
Dizei de mim ao teu filho Jesus.
Vós sois a cura das minhas feridas,
Alfombra que piso, meu raio de luz.
V
(Dedico esta ao meu pai, Devoto de São José, a quem
ele chama carinhosamente de Zezinho).
Oh meu bom José de Nazaré
Castíssimo esposo de Maria
Ninguém perguntou se você podia
Porem se dobrou ao fardo com muita fé.
Ao cuidar de Maria e seu filho Jesus
Aflorou em nossos olhos a compaixão,
Amor incondicional que nos conduz
A trilhar um caminho de retidão.
Oh meu estimado José Nazareno
Esposo Fiel de nossa Senhora
Tão doce; tão casto e tão sereno.
Será meu Pai também a partir de agora.
VI
Foi pelo Sangue que o perdão se fez
Foi Pela retidão de suas palavras
Que o verbo perdido, na alma de vez,
Tirou de meus olhos as travas.
Manso como cordeiro,
Zeloso como bom Pastor
Em seu reino não há cativeiro,
Jamais lágrimas, jamais a dor.
Tirou os Pecados do Mundo
Sem pedir nada em troca.
Tornou meu coração infecundo
Em terra boa que brota.
ESTAÇÕES CRUCIS
(Dedicado a São Leonardo de Porto Maurício)
1ª
Sobre o Pretório de Pilatos
Esta nosso amado Jesus.
Mesmo com seus recatos
Foi condenado à Cruz.
2ª
Recebeste sem merecer
O tão pesado lenho da Cruz.
Algum dia irão dizer
- Perdão! Filho da luz.
3ª
A Primeira queda acontece
Como prova de seu sofrimento.
Se uns zobam de quem padece
Outros mergulham no lamento.
4ª
O filho do homem encontra Maria
Cuja alma atribulada chora.
A ela diz - Não chore, sorria,
Pois a remissão dos Pecados já não demora.
5ª
Fadado ao bom destino: Cireneu.
Tomou pra si a pesada Cruz.
Quem dera ele fosse eu,
Escolhido para ajudar Jesus.
6ª
Santa Verônica em ato de compaixão
Enxugou a bendita face de Jesus
Chamando-nos a reflexão.
Puro ato de Amor, este gesto traduz.
7ª
Pela segunda vez Jesus vai ao chão
Abatido pela dor e cansaço.
- Ninguém lhe estenderá a mão?
Grita alguém no meio do populacho.
8ª
Jesus consola as mulheres de Jerusalém.
- Por que tanta dor e aflição?
Não Temeis o que vem além,
Pois vosso amor jaz em meu coração.
9ª
Nosso Senhor cai exausto e axovalhado
Pela terceira vez.
Mesmo estando, por lobos, cercado
O cordeiro não se rende de vez.
10ª
Despojado de suas vestes, desnudo,
Jesus recebe fel pra beber.
Humildemente aceita tudo
Para que possamos lhe entender.
11ª
O filho de Deus é pregado na cruz,
À vista de sua santíssima Mãe Maria.
O desconforto da dor não traduz
A benevolência que Jesus traria.
12ª
Pelos que o condenaram pede perdão.
Olhando pro céu suplica ao Pai.
Após deixar Maria sob a Guarda de João,
Morre Jesus. Rogai!
13ª
O Cordeiro é descido da cruz
E colocado no colo da Mãe desolada
Que afaga seu filho chamado Jesus.
- Veja que cena glorificada.
14ª
No santo Sepulcro sob a dor de Maria
Nosso Senhor é colocado com comoção.
Mas aconteceu o que ninguém previa,
Foi cumprida a promessa da ressurreição.
VII
(Santo Antônio)
O que dizer de Ti pregador
Cuja língua é incorrupta?
Seu legado resiste com louvor
Mesmo depois da morte abrupta.
Francisco o reconheceu bom.
Como Homem, como Santo.
Por isso pediu emprestado seu dom
Para leva-lo a todo canto.
Santo Antonio do Menino Jesus
Doutor da Igreja. Foste servil.
Por isto peço-te paz e muita Luz
Em seu Portugal e no meu Brasil.
E lhe peço meu bom Senhor
Interceda por mim diante de Deus.
Use seu dom de Oratória e de amor
Para que ele perdoe os pecados meus.
VIII
(Nossa Senhora da Conceição)
Ó Virgem Maria! Por certo Deus a escolheu
Sobre todas as outras mulheres deste mundo
Para que em seu bendito ventre o apogeu
Da bondade e do perdão se fizesse fecundo.
Se não entenderam bem a sua redenção
Perdoe estes humanos limitados,
Ó Imaculada conceição.
Rogai por nós, para sermos perdoados.
Mulher preservada do pecado original
Cujos frutos da redenção de Cristo
Lhe fora antecipado. - O´ventre virginal.
Pela fé em ti me ressuscito.
Rogai por nós, ó Mãe Querida.
Rogai pelos corações aflitos.
Rogai por nós Mãe Aparecida
Para que sejamos também benditos.
IX
(São Clemente)
Devoto a Cristo Foi Clemente Maria
Humilde servente, também padeiro.
O jovem nascido na Moravia
Estava predestinado ao pastoreio.
Arrebanhou almas perdidas
Mostrando lhes o caminho da luz
Abraçou causas perdidas
Em nome da santa Cruz.
Mesmo Napoleão sendo rude
Este incansável soldado de Cristo
Aceitou tudo e de modo humilde
Disse pra si - Eu não desisto!
Peço-lhe Padroeiro Redentorista
Nas terras dos Bartolomeus
Não deixe que eu também desista
Dos bons desígnios de Deus.
X
(Dedicado a São Tiago Maior)
Venha Filho do Trovão
Traga-me o verbo perfeito
E toque o meu coração
Fazendo-me mais um eleito.
Filho da Galileia
Soldado de Cristo
Sua palavra é panaceia
Ao meu coração aflito.
Aos homens jogai sua rede,
Pesque suas almas perdidas.
Como Jesus, matai minha sede
E curai as minhas feridas
Como eram Pedro e João
Fostes próximo a Jesus.
Resgata-me da escuridão
Em nome da santa Cruz.
XI
(São Paulo)
Como o discípulo de Gamaliel
Eu também me recosto na felicidade
Em dizer, Jesus subiu ao Céu.
Por isso regozijo nesta verdade.
Paulo de traso. Te bendizemos;
Te buscamos em nossas orações.
Faça com que enxerguemos
Com os olhos de nossos corações.
Incompreendido tu fostes
Assim como o mestre Jesus.
Como Ele, na historia persistes
Por mostrar-nos o caminho da Luz.
Andou meio mundo
Levando a palavra onipotente
Resgatou almas do submundo
Ao mostrar Cristo benevolente.
Atravesse o meu caminho
Faça o que Jesus te fez
Me ajude a beber deste vinho
Que nos enche de impavidez.
XII
(Em homenagem a Canonização do Padre José de Anchieta)
Não somente sulcos na areia
Feitas com um pequeno Galho
São versos que se desencadeia
Qual gota de orvalho.
E a Divina Mãe agradecida
Cobriu-lhe com seu manto de amor
Fazendo sua vida mais garrida
Para suportar o peso do andor.
Eloquente orador de Deus
Defensor das causas Tupis.
O conversor dos Ateus;
Apostolo do meu pais!
As Canárias... Quem poderia imaginar
Nos mandando um santo?
Aos filhos desta terra há de orar,
Nos proteger, enxugar os prantos.
E que possamos em seus versos
Encontrar a paz desejada
Arrancar os julgos controversos
De uma alma calejada.
XIII
(Santo Afonso)
Marianella, jamais poderia imaginar.
Ali surgiria um filho, nobre dos nobres
Que dedicaria a vida a pelejar
Pelos mais fracos, pelos mais pobres.
Como Advogado nosso, a Deus protela
Para que possamos refletir e devotar.
Por isso venho a esta Capela
Com meu coração manso para te adorar.
Agradeço pela orla de anjos bons
Que é a sua congregação
Trazendo-me em bons tons,
Balsamos ao meu coração.