PREFÁCIO.
Remus Silva.
Quando ainda adolescente, costumava a deparar com pequenos versos escritos nas carteiras escolares, durante algum tempo eu as copiava em um caderno, mas logo me veio à necessidade de escrever os meus próprios.
Nascia ai mais um versejador.
Os versos aqui apresentados foram escritos no final dos anos setenta e começo dos oitenta, procurando preservar a ingenuidade eu não corrigi absolutamente nada.
Quando pensei em publicá-los minha intenção era um público alvo: Adolescentes na faixa de treze a dezessete anos, originando daí o nome “Pequeninas Coisas”.
Por que sempre achei que é muito complicado jogar de cara pra quem inicia neste tipo de leitura um Castro Alves, por exemplo, isso me assustava na época e ainda assusta os adolescentes, com todo aquele vocabulário datado e carregado de sinônimos. Sempre me via lendo-os com um dicionário do lado para compreender o que as palavras queriam dizer e com isso o sentimento, a mensagem que a poesia deveria transmitir se perdia em didática e me fazia perder o raciocínio e o foco a que o autor tentou expressar. Talvez venha daí à necessidade que tenho de escrever o mais simples possível sem muito alarde, por que quando um fala e outro entende se estabelece aí uma comunicação sem “erros gramaticais”.
Pessoas com mais cargas de leitura, vão achar bobinhas, mas é isso que eu gostos nesses versinhos.
Aqui exponho meu início, pobre de vocabulário, mas rico em sensibilidades.
Remus Silva.
I
Hoje faço mais um ano de vida.
Sim, mais um ano.
Mas ao mesmo tempo
Perco a pessoa que amo.
II
Hoje é meu aniversário.
Pra te ganhar não sei o necessário.
Só Sei dizer em minha mente:
Eu Te amo sinceramente.
III
Vá e não olhe para trás.
Lembre sempre
Que por você
Não choro mais.
IV
O amor expressa uma paixão
Mas quem expressa o amor
É o coração.
V
A timidez me fez te amar
E também me fez descobrir
Que por ser tímido te perdi.
VI
Tímido eu sou.
Mas nem por isso
Deixar de te amar eu vou.
VII
Quando o sol se for
E desabrochar uma flor,
Pode crer.
Sou eu querendo te ver.
VIII
Foram os olhos do vento quem me olhou.
Foi o sorriso de criança quem me criou.
Foram os cantos dos pássaros quem me calou.
Foi você a única que me incentivou.
IX
O ano passou. E agora
Como será o outrora?
Se valeu a pena viver
Ainda não sei.
Só sei me dizer
Que vida nova terei.
X
Cabelos pretos,
Pele morena,
Sorriso atraente.
Linda pequena
De beijos ardentes.
XI
Distante me encontro
Do amor verdadeiro.
Me sinto um monstro,
Terror do mundo inteiro.
XII
O tempo se fez testemunha
Do meu perjúrio
Que rasguei com a unha.
Não foi mentira,
Pois o que me erguia
Era minha ira.
XIII
Sou os raios do sol
Que em sua janela entra
Seu corpo aquece
Do tempo se esquece.
XIV
Vivo tão só!
Meu coração tranquei,
Me dei um nó.
Pro mundo calei.
Não tenham dó!
XV
Há olhos que me olham.
Há ventos que me seguem.
Há prantos que me molham
Há pessoas que me neguem.
MVI
Linda era Beatriz.
Tinha um sonho dourado,
Queria ser atriz.
Mas este mundo malvado
Dela fez meretriz.
XVII
Foi dançando que te conheci,
Foi declamando que me declarei.
Foi amando que te beijei,
Foi chorando que te perdi.
XVIII
Te conheci, te gostei.
Te gostei, te beijei.
Te beijei, te amei.
Te amei me casei.
XIX
Abri a janela e vi as flores murchando
E vi que as folhas estavam caindo,
As nuvens o céu azul cobrindo.
...A primavera estava acabando.
XX
Se alguém canta
É por não poder chorar.
E se alguém chora
É por alguém lhe odiar.
XXI
Seus passos lentos eu ouvi.
Em seu olhos olhei,
Pra você eu sorri.
De mim se afastou.
Seu nome não sei.
XXII
Foi o sol quem brilhou
E não meus olhos quem olhou.
Foi o vento quem soprou
E não minha voz quem falou.
Foi a terra quem girou
E não minha mente que parou.
XXIII
Descalço vou andar,
Com voz rouca perguntar:
Quem quer alguém para amar?
XIV
Nem o rio, nem o mar;
Nem o céu, nem o altar;
Nem o sol, nem o luar.
Vão me fazer chorar.
XXV
Veio me dizer adeus?
Saiba que isto não me corta o coração.
O meu Deus
Isto esta fora de cogitação.
XXVI
Se canto, rezo.
Se rezo, desprezo.
Pobre de mim
Sou cúpido sim.
XXVII
Sua face eu vi!
É como a pétala de uma flor
Sai boca não beijei
Por isso não sei o sabor.
XXVIII
Se você me ama
Eu não sei.
Se eu ti amo
Nisto eu já pensei.
XXIX
Caso eu for embora não chore por mim
Simplesmente pare pense e reflita
Pois só assim você fica mais bonita
Como o perfumado jasmim.
XXX
Por que tu me agradeces oh linda flor?
Pois quem devia estar agradecido
Era eu o seu amor.
XXXI
Há sempre uma pergunta na mente.
Há sempre a desgraça na vida.
Há sempre uma esperança perdida.
Há quem vive sempre futilmente.
XXXII
Hoje quero que chova.
Que a chuva caia como pranto.
E a nuvem como manto
Molhe a terra seca.
E o lavrador a remova.
XXXIII
Era inicio de maio
Vi um homem cambaio
Homem muito frágil
Mas por natureza grácil
“Homem que roupa suja a sua!”
...Um pobre bêbado de rua.
XXXIV
Seu rosto pintado
No centro do picadeiro.
Sentindo-se humilhado
Porem não em desespero.
Poeta do riso
Alegria do mundo inteiro.
XXXV
Foi um pássaro que me disse
Pra eu largar desta meiguice
Que me faz cara de tolice.
E que preciso parar pra pensar,
Lembrar que o tempo passou
E o que me resta é lembrar.
XXXVI
O mar rafa
Preso em uma garrafa
Me fez chorar.
Sua presença marcante
Faz-se o momento estafante
Em apenas te olhar.
XXXVII
Sobre a terá andou...
Na plantação seus olhos olharam.
Aterra seca se enriqueceu
Pois suas lágrimas a molharam.
“Li o que você leu.”
Rezou pelos irmãos seu.
Seu nome é Deus!
XXXVIII
Foi numa declaração, você me disse
Em poucas palavras que me amava.
Amei-te com toda a meiguice,
Amei-te como um cantor que cantava.
Como sempre a orquestra se calou.
E infelizmente a luz do palco apagou.
XXXIX
Quando te conheci
O passado se fez presente.
No tempo me perdi,
Tudo se tornou atraente.
Ao amor me entreguei
Até boemia eu cantei.
XL
Vivi sonhando
Com um amor.
Se fizer cantando
O passado, uma dor.
Pra que sonhar
E não acordar?
XLI
Muitas pedras chutou,
Mas o tempo não para.
Muito cascalho pisou,
Você envelheceu.
Tudo parece que já passou
E um canto sujo é que mereceu.
XLII
Sou o palhaço
Que o tempo venceu.
Sentindo o fracasso
Parece que tudo morreu
Tudo me sufoca,
A velhice já me enforca.
XLIII
Sou lícito em te dizer
Não mais me falar
Nem me aborrecer.
Vou ficar só,
Não adianta me procurar,
Pra você serei pó.
XLIV
Queria ser o vento
Estar só de passagem
Ver tudo por um momento.
Não sentir saudade
E não ter como amizade
A dor do sofrimento.
XLV
Quem é você meretriz
Que de mim fez o que quis?
Me amou
Me iludiu
Me olhou
Me cuspiu.
XLVI
Ontem eu sorri
Hoje eu cantei
Amanha chorarei.
Mas tente lembrar
Que nunca por um momento
De te esquecerei.
XLVII
Sou como a árvore.
Nasci, cresci, flori.
Agora vem você e me corta.
Parece que tudo que lhe fiz
Não mais importa.
XLVIII
Aquele que mente,
O que blasfema,
Na carne sente
O fogo que queima.
Para que alto falar
Se pode sussurrar?
Não precisa gritar
É só murmurar.
XLIX
Vivo sem motivo,
Sem motivo vou viver
Pois aquela que eu quero
Não posso ter.
L
Não sei por que canto
Já que o encanto
De minha inspiração
Se foi do coração.